Início do século XX: as primeiras greves e o anarcossindicalismo
Quando a classe descobriu a greve
Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil se industrializava e as fábricas se enchiam de operários, muitos deles imigrantes que traziam na bagagem as ideias anarquistas e socialistas da Europa. Foi nesse caldo que surgiram os primeiros sindicatos e as grandes greves gerais, tocadas pelo anarcossindicalismo: jornada de trabalho sem fim, salário de fome e nenhum direito eram a regra. O auge veio em julho de 1917, quando uma greve geral parou São Paulo por dias e obrigou patrões e governo a negociar com um comitê operário. A greve virou a arma de quem só tinha as próprias mãos.
Broche Somos os 99%As operárias: mulheres na linha de frente
A fábrica também era delas
Nas tecelagens do início do século XX, boa parte da mão de obra era de mulheres, com criança no turno e tudo. Elas ganhavam menos pelo mesmo trabalho, encaravam a mesma jornada e ainda assim seguravam paralisações inteiras: não por acaso, a Greve Geral de 1917 estourou primeiro numa tecelagem de São Paulo, setor onde as operárias eram multidão. A história oficial guardou poucos nomes, mas cada direito conquistado depois carrega a digital delas.
Ver a coleção Feminismo1º de Maio: o Dia do Trabalhador
Uma data que veio de Chicago
O 1º de Maio não é feriado por acaso. A data lembra a greve geral iniciada em Chicago, em 1º de maio de 1886, quando operários pararam pela jornada de 8 horas. A repressão que se seguiu, e o julgamento dos líderes do movimento, transformou a data no Dia Internacional dos Trabalhadores, adotado no mundo inteiro. No Brasil, o 1º de Maio virou o grande dia de reafirmar que trabalhar não pode custar a vida.
Broche Flores nos Fuzis
O 1º de Maio à brasileira
Por aqui, a data virou feriado nacional ainda nos anos 1920 e ganhou peso de palanque: não por acaso, tanto o salário mínimo (1940) quanto a própria CLT (1943) foram anunciados em pleno 1º de maio. De lá pra cá, o dia acumulou as duas caras que mantém até hoje: festa de quem construiu o país e ato de quem ainda cobra a conta.
Broche Viva o Trabalhador BrasileiroA CLT e a conquista dos direitos
Direito no papel, e por que ele existe
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943, reuniu num só código direitos como carteira assinada, férias, jornada limitada e descanso remunerado. Não caíram do céu: foram fruto de décadas de pressão do movimento operário. É por isso que a palavra de ordem "nenhum direito a menos" resume tudo, cada linha da CLT é um capítulo de luta que ninguém quer ver rasgado.
Broche Nenhum Direito a MenosO novo sindicalismo do ABC e a CUT (1983)
As greves do ABC e a maior central do país
No fim dos anos 1970, em plena ditadura, os metalúrgicos do ABC paulista pararam as fábricas em greves históricas e deram origem ao chamado novo sindicalismo. Daí saiu, em 1983, a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que reuniu sindicatos de todo o país sob a mesma bandeira, e o movimento operário deixou de ser só de fábrica pra virar força política nacional. Dessas mesmas assembleias despontou um torneiro mecânico chamado Lula, história que você confere no guia Lula nos anos 80: do sindicato ao PT.
Broche da CUT
A luta que passou do trabalho pra cidade
A organização dos trabalhadores não parou nos portões da fábrica. Movimentos como o MTST, nascido nos anos 1990 e inspirado na experiência do MST no campo, levaram a bandeira para o direito à moradia e à cidade: quem produz a riqueza também precisa de um teto perto do trabalho. As ocupações organizadas viraram escola de militância urbana e mostraram que a classe trabalhadora de hoje está no canteiro de obras, no aplicativo e no caixa do mercado, não só no chão de fábrica.
Broche do MTSTPautas de hoje: fim da escala 6x1 e redução da jornada
Fim da escala 6x1
A escala 6x1, seis dias de trabalho para um de folga, virou o símbolo da luta operária desta década. A campanha nasceu nas redes, juntou mais de um milhão de assinaturas e chegou ao Congresso como proposta de emenda à Constituição. A pauta é direta: menos horas na labuta, mais tempo pra viver. É a mesma reivindicação de 1886 por jornada mais curta, atualizada pro Brasil de agora.
Broche Fim da Escala 6x1
Reduzir a jornada, não os direitos
Toda proposta de "flexibilizar" costuma vir com um asterisco. Por isso a palavra de ordem "redução não é solução", quando a redução mira o direito, e não a jornada. A luta de hoje é por trabalhar menos sem ganhar menos, sem abrir mão de nada que a CLT já garante.
Broche Redução Não é Solução
Um clássico na pauta atual
Se tem uma coisa que atravessa toda essa linha do tempo é a ideia de que o valor do trabalho pertence a quem trabalha. Colocar o velho barbudo do lado da pauta do 6x1 é lembrar, com bom humor, que a discussão sobre jornada e exploração não nasceu ontem, só ganhou hashtag nova.
Broche Marx Contra a Escala 6x1A luta tem broche pra cada capítulo
Metal leve, alfinete firme no verso e mensagem pesada: os símbolos desta linha do tempo e muitos outros estão na coleção Lutas, prontos pra assembleia, pro ato e pra segunda-feira.
Ver a coleção Lutas completaPerguntas frequentes
Por que o Dia do Trabalhador é 1º de maio?
Porque foi nesse dia, em 1886, que os operários de Chicago cruzaram os braços exigindo a jornada de 8 horas. A violência da repressão e a execução de líderes anarquistas, lembrados como os Mártires de Chicago, marcaram o mundo do trabalho, que adotou a data como dia internacional de memória e mobilização. No Brasil, é feriado nacional desde a década de 1920.
Quando a CUT foi fundada?
Em 28 de agosto de 1983, durante um congresso de trabalhadores realizado em São Bernardo do Campo (SP). Nasceu do impulso das greves do ABC e hoje é a maior central sindical do Brasil.
O que foi o novo sindicalismo do ABC?
Foi a virada do sindicalismo brasileiro no fim dos anos 1970: assembleias lotadas, decisão tomada pela base e enfrentamento direto, mesmo com a ditadura no cangote. Renovou a forma de organizar a categoria, projetou lideranças como Lula e abriu o caminho que desembocou na CUT.
O que é a escala 6x1?
É o regime de seis dias de trabalho para um único dia de folga, padrão no comércio e nos serviços. Quem vive nessa escala quase nunca emenda um fim de semana inteiro de descanso. Por isso o fim da 6x1 virou a bandeira operária mais forte da década: mais tempo de vida, mesmo salário.


